À conversa com: Menino conhece Menina, fotografia de casamento
Hoje conversamos com a Raquel e o Daniel, a dupla de fotógrafos de casamento que assina como Menino conhece Menina.
Lembro-me da primeira vez que falámos: havia ali qualquer coisa a germinar, mas ainda um pouco indefinida. Adiámos o assunto. Quando voltámos a conversar, possivelmente um ano ou mais depois, era claríssimo: um ponto de vista distinto, curioso, inesperado. Havia reflexos, havia simetrias, havia enquadramentos, primeiro esquisitos, depois certeiros.
Estamos juntos há mais de 5 anos e ver a sua linguagem crescer, ganhar forma, ocupar o seu espaço e ter o seu próprio léxico, é, genuínamente, um prazer.
Os casamentos fotografados pelos Meninos nunca são feitos dos detalhes habituais: nunca são sobre os sapatos, bouquet ou decoração. E nunca são iguais, nunca têm uma fórmula aplicada que os mistura num só bolo. São o oposto disso, são específicos sobre aquele casal, as suas pessoas, a sua festa, o seu momento. Os seus gestos, os seus sorrisos e lágrimas, a sua energia, o seu amor. E nunca deixam de ser doces e gentis, porque registando momentos muito singulares que só eles os viram, fica de fora tudo o que não interessa, tudo o que, acontecendo, não acrescenta nada de valioso à narrativa que constroem.
Mas o melhor mesmo é saber que o mundo vai continuar na sua órbita em torno do sol, que a vida não vai parar e os anos passarão sobre estas pessoas. O melhor é saber que quando as rugas se instalarem e a saudade de si próprios e dos seus os levar a olhar para trás, vão poder tirar o álbum da estante, viajar até esse outro tempo, derramar uma lágrima enquanto se lhes aquece o coração e, entretanto, esperar mais um pouco até que a próxima ruga surja para recomeçar tudo mais uma vez: tirar o álbum da estante…
Contem-nos um pouco da vossa viagem profissional até aqui, à fotografia de casamento.
Apresentamo-nos: somos a Raquel e o Daniel, os meninos de ‘Menino conhece Menina’. Somos um casal, companheiros na vida e na fotografia. Somos ambos arquitectos e foi a trabalhar num escritório de arquitectura que nos conhecemos, embora provavelmente nos tenhamos cruzado – ainda sem saber das voltas do futuro – durante as férias da infância, nos mergulhos no rio que corre aos pés das aldeias dos avós de ambos, pertinho uma da outra, no mesmo concelho transmontano.
A nossa chegada à fotografia de casamento foi pouco programada; aliás, foi ela que chegou a nós e não o inverso.
O Daniel começou a fotografar há muitos anos, ainda estudante. Começou pela fotografia de rua, primeira arrebatada paixão. A passagem à fotografia de arquitectura foi um passo fácil e natural: o olhar à espacialidade e a compreensão do pensamento arquitectónico estavam adquiridos e aliavam-se aos conhecimentos fotográficos entretanto explorados e desenvolvidos.
Foi nessa altura que uma amiga de uma amiga que não encontrava fotógrafo para o seu casamento com o qual se identificasse lançou o desafio: fotografar o seu casamento. Essa foi a primeira experiência, assim, quase casual. E não foi logo que a ideia vingou e se fez projecto de vida. A arquitectura ainda era protagonista, com o Daniel a fotografá-la e a Raquel a trabalhar em projecto. Pouco a pouco a Raquel foi sendo contagiada pela paixão pela fotografia que o Daniel expirava, e quando deu por si estava irremediavelmente corrompida.
Então, num soalheiro dia de Primavera surgiu a hipótese “e se fotografássemos casamentos?…”
Há quanto tempo fotografam? E porquê casamentos?
O dia do “e se…” aconteceu na Primavera de 2012. “Menino conhece Menina” nasceu no dia 1 de Maio desse ano com o lançamento do nosso primeiro site, totalmente homemade, muito naif e, acreditamos nós, simultaneamente muito doce. Reunia a fotografia de rua do Daniel e aquele único casamento que tínhamos para mostrar.
A partir daí esta hipótese transformou-se em sonho e o sonho transformou-se em projecto. Pouco a pouco o projecto foi-se sedimentando e tornando cada vez mais concreto.
Não existe um porquê muito explícito, até porque, mesmo fotografando casamentos, continuamos a fotografar para nós no nosso dia-a-dia, de uma forma amadora, pode dizer-se. Contudo sentimos que o que nos atraiu nos casamentos, foi termos encontrado o espaço para fazer a nossa “fotografia de rua”, a fotografia documental de que tanto gostamos e, simultâneamente, poder viver disso.
O vosso trabalho é a duas mãos e tem um estilo muito singular, muito próprio. Como o definem e como construíram essa vossa assinatura?
A nossa entrada inesperada e algo leiga no mundo dos casamentos acabou por ser fundamental na definição da nossa personalidade enquanto fotógrafos nesta área. O nosso conhecimento do meio era reduzido mas, por isso mesmo, estava livre de preconceitos e estereótipos. Não procurámos conhecer a tendência e a vanguarda do momento, apenas acreditámos que haveria espaço para esta abordagem documental e espontânea que tanto prazer nos dava. E havia!
Foi um processo absolutamente intuitivo e agora, em retrospectiva, agrada-nos muito o caminho percorrido. Essa assinatura não foi algo ponderado ou construído. É natural e resulta desta forma sincera de observar e registar os acontecimentos do dia. Um casamento é um momento tão rico e preenchido, repleto de situações emotivas, divertidas, inusitadas… Está tudo lá. Basta deixar que flua.
Há uma outra característica muito marcada no nosso trabalho e que nos é muitas vezes sublinhada por quem o observa: a espacialidade. Acreditamos que é algo que trazemos da nossa formação em arquitectura e que nos é inata. O pensamento espacial e o enquadramento arquitectónico envolvem as nossas fotografias sem que nos seja necessário nenhum esforço ou atenção particular. Não o fazemos conscientemente… aliás nem saberíamos fazê-lo de outra forma.
Têm um nome muito poético e as vossas galerias têm títulos igualmente bonitos. Palavra e imagem são dois assuntos favoritos?
O porquê do nosso nome deve ser a pergunta que mais vezes nos foi feita desde que nascemos… Nasceu connosco, tão espontâneo e intuitivo quanto tudo o resto. Surgiu logo ali no momento do “e se…” e vinha do genérico de um filme que viramos uns dias antes e que começava com a frase “This is a story of boy meets girl”. Truncámos o final do filme do nosso imaginário porque nessa história o amor se perdia durante o percurso e adaptámos à nossa: era uma história de Menino conhece Menina e era uma história de amor!
E o nome vingou, provavelmente por haver nele tanto de autobiográfico. Descobrimos entretanto que é motivo de empatia com muitos casais; afinal tem também algo de universal… não é assim que começam as histórias de amor?
Em relação à palavra, sim, é uma outra paixão. À pergunta “o que queres ser?”, a Raquel costumava gostar de responder “leitora profissional”. Quem dera!…
Mas é uma paixão agridoce. O drama da página em branco é coisa real por aqui e, até as primeiras palavras começarem a cristalizar e a criar amarras entre o papel e a ideia voadora e fugidia que está na cabeça, o processo chega a ser doloroso. Vencida a inércia e cravadas as primeiras linhas, a escrita é um prazer.
Na fotografia, apesar de tudo, o arranque é mais fácil. É claro que há também um aquecimento inicial mas a vida está a acontecer à nossa frente pelo que não há espaço para muitas hesitações. O olho, o coração e o dedo estão em batimento simultâneo logo desde o início.
Achas que o ponto de vista feminino, os detalhes que escolhes fotografar e como o fazes, a narrativa que constróis, é diferente das escolhas que o Daniel faz, do seu ponto de vista masculino? Como convergem?
Claramente. O nosso trabalho é um canto a duas vozes e, embora em sintonia quanto a princípios e objectivos, trilhamos muitas vezes caminhos distintos. A dualidade masculino/femino é óbvia, mas não é única. A Raquel é mais tímida e mais sensível ao detalhe, o Daniel é mais ousado e destemido. Temos, por exemplo, predileções distintas no que toca a lentes: a Raquel sente-se em casa com a 50mm nas mãos, o Daniel não vive sem a 24mm. E consequência disso mas não só, acabamos por ter enfoques diferentes: a Raquel é mais atenta ao pormenor e ao retrato, o Daniel adora a cena ampla e complexa. As diferenças vêm até de questões de estatura! Há 30cm de altura de diferença entre os dois que possibilitam ao Daniel pontos de vista de outra forma impossíveis; mas ver o mundo à altura das crianças é muito mais fácil para a Raquel.
São pontos de vista distintos, mas complementares. Sentimos que a reportagem resulta mais interessante e enriquecida por esta dualidade. Aliás, acontece muitas vezes virmos a descobrir, já em casa no momento da seleção, fotos simultâneas, captadas por casualidade em dois ângulos distintos e que transparecem esse diferente perspectivar da cena.
Nestes tempos globais, em que as imagens circulam a uma velocidade vertiginosa e todos temos acesso a tudo, a qualquer hora, onde vão buscar inspiração?
Interpretando “inspiração” num sentido literal, de quem vai tomar ar algures para depois expirar no seu trabalho, gostamos de pensar que o melhor é trabalhar “desinspirado”. Como diziamos acima, há tanto ar a ser-nos oferecido no dia do casamento que é essa a melhor inspiração possível.
Neste momento, naturalmente, já não ignoramos o meio e as tendências da vanguarda. Conhecemo-las mas tentamos que influenciem pouco a nossa atitude. O nosso olhar é menos ingénuo agora do que quando começámos, mas é fundamental que continue a ser genuíno. Queremos aquelas duas pessoas nas nossas fotografias, queremo-las a elas, às suas famílias e aos momentos que viveram, e queremo-los com o mínimo de filtros possível. Não queremos figurantes a reproduzir imagens vistas algures, por muito que resultassem espetaculares e impactantes. Para isto precisamos de partir para cada reportagem fazendo uma espécie de tábua rasa, esquecendo todas as fotografias extraordinárias que populam a internet e que admiramos mas das quais sentimos ser saudável alguma distância.
É claro que depois há uma cultura visual que vamos construindo e que vai influenciando o nosso olhar. Mas essa vem das áreas mais diversas, do cinema à ilustração, à arquitectura ou até mesmo ao mundo imaginário da literatura.
Quando precisam de fazer reset, para onde olham, o que fazem?
Há aquela frase célebre “encontra um trabalho de que gostes e nunca mais terás de trabalhar!” Parece-nos que encontrámos!
Não sentimos muitas vezes necessidade de reset porque este trabalho é, na verdade, um prazer. Aliás, é na época baixa, quando as reportagens param e o ritmo abranda, quando temos mais tempo e calma, que o Daniel sofre. Falta-lhe o ar!
De qualquer modo, o reset é fácil: temos um mini-Menino (em breve dois) e uma gargalhada sua é suficiente para que se pressione o botão e realinhem todas as agulhas eventualmente desafinadas.
Estão instalados no Porto: o vosso trabalho é local ou claramente nacional?
Nenhum de nós é do Porto mas já nos sentimos adoptados por esta cidade incrível.
O nosso trabalho está a fazer o percurso inverso. Nasceu no Porto mas vive neste momento por todo o lado. As nossas reportagens acontecem agora de norte a sul do país, com passagens pelas ilhas e pelo estrangeiro.
Não pretendemos deixar o Porto – que isto é amor para a vida toda! – mas esta itinerância agrada-nos muito. A emoção ligada à viagem, à partida e ao destino, ao desconhecido e à aventura, é um aliciante extra neste trabalho.
Qual é o vosso processo de trabalho, como acontece a ligação ao cliente?
Todas as imagens são captadas pelos dois e podemos dizer com orgulho que, em todos os casamentos que fotografámos, Menino e Menina estiveram sempre em conjunto – dois dedos no gatilho, um só coração.
Depois disso, passam por um processo composto de vários passos – seleção, edição, revisão, impressão – que vão sendo intercalados entre Menino e Menina.
No entanto cada trabalho começa muito antes disso, no momento em que o casal nos procura. Passados os contactos iniciais, procuramos que tenha lugar um encontro, pessoalmente ou por skype, no qual a empatia connosco e com o porfolio é aferida. Esse é um momento fundamental em que começa a construir-se a ligação aos noivos, em que começamos a conhecê-los um pouco e em que se abrem portas para que no dia, quando a câmara se erguer ao nosso olho, eles nos acolham confortáveis.
Casamentos grandes ou pequeninos, nacionais ou estrangeiros, cerimónias emotivas, festas de arromba – qual é o tipo de festa que mais gostam de registar?
Casamentos pequenos, de 20 pessoas numa mesa corrida, onde chegamos ao fim da noite a conhecer pelo nome todos os convidados, e casamentos grandes onde podemos ser invisíveis e, misturados na multidão, apanhar aquele momento; cerimónias emotivas, de lágrima solta e abraço apertado, e festas de arromba com dança enlouquecida e noivos lançados ao espaço. Cada um tem especificidades incríveis, pelo que não conseguiríamos escolher um tipo. Muito pelo contrário, esperamos que o nosso caminho não afunile apenas num desses sentidos, é a diversidade que torna este trabalho aliciante e promove um olhar fresco e renovado a cada reportagem.
Qual é a melhor parte de fotografar casamentos? E o mais desafiante e difícil?
Há muitas coisas boas em fotografar casamentos. O dia do sim é, por norma, um dia feliz que os noivos escolhem partilhar com os seus mais próximos e connosco. Se fotografar já era para nós um prazer, fotografar pessoas felizes, de coração e sorriso aberto é prazer ainda maior.
Para além disso, uma das coisas mais saborosas é, depois do dia passado, quando os noivos começam já a ter de ir procurá-lo às suas memórias, poder sentir a sua emoção ao ver as imagens, transportados novamente lá atrás, àquele abraço, ao primeiro toque da aliança fria no dedo ou ao rodopio da primeira dança. É uma delícia ser os seus olhos extra e fazê-los mais tarde descobrir momentos que não haviam visto e que os vão fazer soltar gargalhadas ou arrepios.
Mas o melhor mesmo é saber que o mundo vai continuar na sua órbita em torno do sol, que a vida não vai parar e os anos passarão sobre estas pessoas. O melhor é saber que quando as rugas se instalarem e a saudade de si próprios e dos seus os levar a olhar para trás, vão poder tirar o álbum da estante, viajar até esse outro tempo, derramar uma lágrima enquanto se lhes aquece o coração e, entretanto, esperar mais um pouco até que a próxima ruga surja para recomeçar tudo mais uma vez: tirar o álbum da estante…
Nós temos nas mãos a máquina do tempo! E o melhor é saber que são as nossas fotos a ignição que vai soltar essa lágrima saborosa de quem pensa “Tão bom que foi!”
Escolham uma imagem favorita do vosso portfolio e contem-nos porquê:
Raquel:
Escolher uma só imagem em tantos milhares é tarefa difícil, quase cruel, mas vamos lá… Escolho uma imagem de 2013, da literal subida da noiva ao altar pelo braço do seu pai. É uma imagem do Daniel que, como dizia acima, ousado e destemido, se afastou do centro da acção no momento-chave e foi para o outro lado da praça, única forma de poder ter esta visão planificada da escada. Escolho-a porque o admiro e à sua coragem e porque vejo nela a tal genuína espontaneidade da fotografia de rua que está tão na nossa génese, com a passeante curiosa a espreitar a noiva e o carro a encerrar o enquadramento.
Escolher esta fotografia é entrar na tal máquina do tempo! Escolho-a, mais que tudo, porque eu também já tenho rugas, o mundo também rodou para nós, e sabe tão bem largar a lágrima e pensar “Tão bom que continua a ser!”
Daniel:
Pedir a um fotógrafo que escolha a sua fotografia favorita é algo muito semelhante a pedir a uma mãe de sete filhos que escolha aquele de quem gosta mais, é difícil, senão impossível fazê-lo de uma forma real ou convincente. De qualquer modo, se tivesse que escolher uma só, uma imagem que, embora não seja exactamente a minha favorita é uma das que mais me marcou ao longo da minha breve história de fotógrafo, seria a da entrada da Ana na Igreja ao som de “Nothing Else Matters – Metallica”, em 2012. Era o nosso terceiro casamento e nessa altura as nossas pernas tremiam definitivamente mais que as dos noivos, quando a entrada da noiva na igreja se aproximava! Assim que entrei na igreja vi diante da porta um corta vento formado por vidros espelhados em tramos rectos que, vistos de determinado ângulo forneciam múltiplas imagens da porta de entrada. Depois de ver aquilo foi óbvio para mim que essa seria a fotografia a tomar quando a noiva entrasse pela porta da igreja.
Aquilo de que tanto gosto nessa fotografia não é tanto o resultado em si, uma vez que, embora seja boa, considero-a somente uma entre outras fotografias de portfólio, mas sim a coragem que agora percebo ter sido necessária para nesse momento virar costas ao que seria expectável e, literalmente, à noiva e seu pai no momento que se preparavam para dar o seu primeiro passo através do arco da porta da igreja, momento que muitos consideram o auge de um casamento. Hoje sinto que essa coragem só me foi possível pela ingenuidade de quem nada sabe sobre o que está a fazer e que está, portanto, aberto a todo o tipo de possibilidade e desfecho. Sei que só me foi possível olhar daquela forma para este momento porque a minha cabeça se encontrava livre da poluição dos modelos e das modas a que esta área (tal como muitos outras áreas de mercado) se expõe.
Hoje olho para essa imagem e vejo-a tirada pelos olhos de uma “criança” que procuro alimentar diariamente com abundantes doses de sonho e valentia, na esperança levar essa frescura para cada reportagem que abraçamos.
nota: até aqui as respostas foram dadas em conjunto; esta última foi escrita em separado e sem saber o que ia pela cabeça do outro. Descobrimos depois de ler que as motivações da escolha são parecidas e parece-nos que isso acaba por dizer bastante da sintonia que procuramos.
Os contactos detalhados da dupla Menino conhece Menina, estão na sua ficha de fornecedor. Espreitem a galeria, feita de imagens bonitas e singulares, e contactem o Daniel e a Raquel directamente através do formulário: é só preencher com os vossos dados e mensagem, e na volta do correio, terão uma resposta simpática.
Acompanhem estas nossas conversas longas com fornecedores seleccionados Simplesmente Branco, sempre à quarta-feira!
Bolo dos noivos, sapatos de noiva e um belo bouquet: um trio perfeito!
O trio de sapatos de noiva, bolo dos noivos e bouquet de noiva de hoje, é uma ode ao mediterrâneo, na mais clássica combinação de sempre: branco e ramos de oliveira. Este dueto é infalível, por muitas razões: do Alentejo ao Douro, passando por Trás-os-Montes, as oliveiras fazem parte da nossa herança, das nossas famílias, do nosso quotidiano, do nosso horizonte. São árvores magnífícas, centenárias e fonte de alimento. Têm uma dignidade poderosa e singela que combina maravilhosamente com as mais sofisticadas peónias, da mesma forma que se ligam a simples rosas brancas, frésias ou túlipas.
Hoje escolhi um bolo dos noivos branco, de três andares e cobertura cremosa: clássico, simples, elegante e certamente delicioso, um factor que nunca deve ser subestimado ou mascarado por uma elaborada aparência. A decoração é feita apenas de folhas de oliveira, em coroa, à volta de cada um dos andares. O resultado é simples, fresco e muito elegante – um clássico!
Os sapatos de noiva são de veludo verde esmeralda. Este material regressou às tendências no inverno de 2016 e tem-se mantido firme e apropriado às várias estações do ano, até agora. E muito bem, diria eu, porque o acabamento e as cores, em todas as versões de sandálias que temos visto, são sempre fantásticos, elegantes e com um enorme grau de sofisticação.
Fechamos com um belo bouquet, desarrumado, orgânico e muito mediterrânico: oliveira e rosas brancas. Perfeito, não?

Clássico e orgânico, de mão dada. Uma combinação perfeita, local, intemporal. Que bonito que isso é…
De cima para baixo, bolo dos noivos com três andares, cobertura cremosa e decorado com ramos de oliveira, via Pinterest; sapatos de noiva em veludo verde esmeralda, de Lulu’s, via Style me Pretty; bouquet de noiva orgânico ramos de oliveira e rosas brancas, via Bare Root Flora.
Para acompanhar estes nossos trios perfeitos que publicamos todos os domingos, basta que sigam as nossas etiquetas (a partir da homepage) ou aqui no topo do artigo: sapatos e sunday shoes; cake! e bolo; bouquet e um belo bouquet.
Bom domingo!
Casamento descontraído na Aldeia da Pedralva: Angela + Laurentiu
Fechamos a semana com dias de verão: é o casamento descontraído na Aldeia da Pedralva, da Angela + Laurentiu.
Esta foi uma festaça, acreditem! Um dos meus luxos de editora é poder navegar pelas galerias completas e viver a festa como se fosse uma das convidadas. E este foi um casamento muito especial, cheio de gente feliz, descontraída, muito bem vestida e cool, miudagem feliz e à solta, e um sentido de estilo absoluto!
A pista de dança foi o ponto alto da festa, e a animação esteve a cargoa da Rituais. O estacionário e detalhes bonitos, é da In Love Unique Weddings, e o registo fotográfico, electrizante e peculiar como sempre, é da conta da dupla Menino conhece Menina, em grande forma.
Bom fim-de-semana!
When the answer was “yes!”, how did you imagine your day?
Well, assuming that there was a yes, is a bit of a jump! It would mean a question was asked…
When Laurentiu popped the ring, there were some very sweet and incoherent sentences in the mumbling that was going on, but definitely not a question, at least that we can remember. Not that is was needed, thought. It was clear we were the one for each other.
We started planning our day on that same evening, in Lanzarote, walking back to our rented flat. It was clear what we wanted: spend a good time with all our best friends and family without the hush rush that usually comes with wedding days.
Did you feel prepared or was it a nerve-racking path?
Can’t say we were prepared, as being married had never been on our life plans, so we had no preconceived ideas to go with.
However, by end of day one, we already had the “masterplan” in our heads. We knew what we wanted, and, most importantly, what we did not want. From that moment on, everything went as planned, even though we felt running a little out of time, when two weeks left for the big day we were still looking for some parts of the outfits we had in mind for the day. No stress.
At what point in the wedding planning did you feel, “this is for real”?
Never. Even today, 6 months later, it still feels like: Is this for real? Are we really husband and wife? Oh yes!
Is the result true to the initial ideas or is it very different? Did you have any help?
100% as we wanted it to be: simple, fun and relaxed. No great conventions or protocol, just us with family and friends. Enjoying a fantastic weekend in the Algarve countryside, not too far from the coast, so we could go for a swim in the ocean.
What was fundamental to you? And unimportant?
Fundamental: we wanted to keep it simple and spend time with our family and friends. We wanted everyone to feel comfortable and at home. If they wanted to be on flip flops, be it; if they wanted to be on tuxedo and fancy gown, be it as well. We wanted everyone to be as they felt like, to fully enjoy their time off with us.
Unimportant: the formality and etiquette.
What was easier? And what was more difficult?
Easy: choosing the location. The day after the ring showed up, we had already decided to marry in Portugal in Pedralva. We found it by pure chance while browsing the internet. It was perfect. Unpretentious, with its rustic stone white walls and beautiful little cottages. We loved it. It was just us. A village where we were the locals, and where we could have everyone together, while still enjoying some privacy, with no TV, no internet and poor mobile reception. A place to “be in” and relax. Luckily, the weekend of September 23rd was the last one available, perfect. Booked!!!
Living abroad meant that we couldn’t do a lot ourselves, so we had wedding planners with whom was not always easy to get our message across: a simple wedding. But by far, the biggest challenge was to go through all the bureaucracy. For us to get all necessary papers to have a civil wedding was a huge task. After long queues on embassies and notaries, translations and flights to Portugal, we succeed. We got our moment of joy and celebration when we finally got the right papers in our hands.
What was the sentimental peak of your day?
We had our song playing out a few times over the day: “I Follow River” by Triggerfinger, but it was only when the party was in full swing and the song came on again, that it hit me. For Laurentiu, when he saw me coming out of our little cottage holding hands with my father, at the sound of our song.
And the peak of fun?
We had attempted to rehearse a few months before the wedding an electric swing dance, very unsuccessfully. So the time we wanted to show some skills, we totally forgot the steps and quickly had to improvise. I must say, we did it quite well and almost could be mistaken for professional dancers!
Or, if you prefer, the moment at the end of the ceremony, when we realized I had forgotten the bouquet in our cottage.
A special detail …
Everyone wrote us a letter that was posted to us at the end of the party, and, as we speak, we still receive postcards from our family and friends.
Now that it has happened, would you change anything?
On our way back home, impossible to avoid the thoughts: would have been better if we had done this, or that, but you know what? It was beautifully chaotic and genuinely full of laughs. Looking back, it could have not been better.
Some words of advice for upcoming brides …
Plan the day for yourselves and not for what you believe others would want or expect. This is not easy, and we almost fell on that trap as well. At the end, we had to stop and think: it’s our day and we should enjoy it the most.
So be yourselves, all way through. Own your party, and have it as you dream it!
Os fornecedores envolvidos:
convites e materiais gráficos: In Love Unique Weddings;
espaço e catering: Aldeia da Pedralva;
cabelo e makeup: Jordana & Dorota;
boquet de noiva e decoração: Teresa Beja, Aldeia da Pedralva;
fotografia: Menino conhece Menina;
luzes e DJ: Rituais Eventos.
A realidade e a ficção: a escolha é vossa.
Hoje apeteceu-me falar sobre editoriais, chamados de styled shoots em inglês, e o espaço que estão a ocupar no nosso mercado de casamentos. Cumprirão a sua função inicial de processo criativo e ferramenta de marketing ou estarão a dominar a conversa, gostos e expectativas dos noivos?
Esta é uma excelente pergunta e ponto de partida para esta discussão animada e saudável.
A minha reflexão desta semana assenta num facto óbvio: a cultura visual dos noivos do momento, é vasta. O Pinterest e Instagram foram game changers, cada um a seu tempo, nesta nossa forma de absorvermos informação, colocando em primeiro plano a visual, e, só depois, a escrita.
No início do ano, no International Wedding Trend Report 2018, editado pela Wedding Academy Global, da qual agora faço parte , li o seguinte, escrito pela Ami Price, CEO do Aisle Society:
“Today’s brides and grooms grew up in a world where curating your experiences for social media is the norm. Weddings have long been aspirational, but now it’s in an entirely visul way. They want the kind of wedding they’ve seen on Pinterest, but always with a personal twist. An expensive banquet is great – but is it instagrammable? At least on some level, millennials are always considering how their choices will look on pictures…”
E é aqui que entra a grande discussão do momento: queremos realidade ou ficção? Estamos a vender realidade ou ficção? Os noivos estão a comprar realidade ou ficção?
Qualquer opção pode ser válida, mas o fundamental nisto (e em tantas coisas…), é a transparência e a verdade dos factos.
Explico melhor: eu posso querer vender, tranquilamente, ficção. Mas a mensagem que passo deverá, obrigatóriamente, sinalizar que é ficção, e quem compra, deverá ter bem claro para si, que aquilo que comprou tem um certo grau de fantasia, e está ok com isso.
Uma styled shoot é, na sua essência, um exercício criativo. Sem os constrangimentos do briefing do cliente, sem os limites de orçamento, apenas o que queremos criar, com total liberdade, de forma colaborativa, como os nossos pares, ou a solo. É um exercício fantástico, de facto. Puxa pelo melhor de nós, é desafiante, e pode ser muito recompensador. As fotografias que resultam, quando tudo corre da melhor forma, são arrebatadoras porque concentram e cristalizam todo um processo criativo que está para trás, toda uma história que saiu da nossa cabeça, foi construída com as nossas mãos e fica captada para sempre. Poderoso, não?
E é também uma fantástica ferramenta de comunicação: uma boa imagem dá a volta ao mundo, e temos a oportunidade de nos expressar de forma singular, mostrando aquilo que é a nossa assinatura criativa, a visão que temos sobre estes assuntos e como somos capazes de trabalhar em equipa.
Mas atenção – um editorial é pura ficção. E esta mensagem tem que ser muito clara, sobretudo nestes dias em que toda a internet transpira editoriais à esquerda e à direita.
Repito: um editorial é pura ficção, um editorial não é um elopement e um elopement editorial não é um casamento: isto é, simplesmente, mentira e quem assim anda a identificar o seu trabalho, está a falhar com todas as partes envolvidas – com o mercado, com o cliente, com os parceiros.
E não precisa de o fazer, porque um editorial é apenas isso: um editorial, um exercício criativo, uma demonstração de estilo, uma assinatura: isto é o que eu sou capaz de fazer, como autor, como criativo, como executante. E isso é óptimo e suficiente.
Agora, não é realidade, não é um serviço vendável e muito menos comprável, se formos honestos. Peguemos numa destas mesas fantásticas que vemos em qualquer destes editoriais bonitos. Desmontemos item a item, e multipliquemos por 10, 15, 25 mesas, que é a situação real: deixa de ser possível, claro! Ou porque o custo da decoração floral é uma loucura e o cliente não tem orçamento para isso, ou porque as peças (louça, talheres, candelabros) são compradas ali na Area, Zara Home ou vieram emprestadas da Vista Alegre e, novamente, o custo é incomportável para um casamento de 80 convidados. Ou porque aquelas flores que ficam tão bonitas durante as duas horas que dura o shooting não vão aguentar a 6, 8 ou 14 horas que dura um casamento. Ou, até, porque os constrangimentos dos espaços são incompatíveis com o que faz uma mesa singular, posta para dois, ser tão bonita.
Realidade e ficção são dois elementos muito distintos, caros noivos.
Um profissional será sempre capaz de pôr a sua assinatura e visão ao serviço do cliente, e tem a experiência, elasticidade e conhecimento para ajustar o conceito criativo do evento, ao cenário que tem pela frente.
Quem sabe menos, por muitos editoriais bonitos e publicados internacionalmente que tenha feito (e colocado no seu site como “portefolio” ou “casamentos”), é confrontado com a díficil gestão de projecto que é montar um casamento a sério, com custos, orçamento, espaço, e, sobretudo pessoas envolvidas (das equipas aos noivos, passando pelos fornecedores e convidados). Esta passagem de escala de um editorial delicado e intimista, perfeito em todos os seus elementos e totalmente controlado, para uma situação real, é um assunto muito sério e quem não tem total consciência disso, está a pôr o seu cliente, parceiros e reputação em risco. Ninguém quer isso, pois não?
Fechando numa nota mais positiva e menos dramática: queridos noivos, não se vençam (nem convençam) por uma imagem do Instagram ou uma publicação estrangeira. Vejam, pesquisem, contactem, conversem. Sintam empatia, constatem a experiência e a sua relação com o preço pedido. Nem sempre uma imagem vale mil palavras e este é, claramente, um desses casos.
Como dizemos tantas vezes, saber é poder. O mercado está repleto de oferta bonita, sejam sábios e informados nas vossas escolhas!
Duas vezes por mês, sempre às quartas-feiras, escrevo sobre assuntos que me fazem pensar, num artigo de opinião a que chamo O fio da meada.
Querem discuti-los comigo? Seria um prazer! Acompanhem-me aqui.
Bolo dos noivos, sapatos de noiva e um belo bouquet: um trio perfeito!
O trio de bolo dos noivos, sapatos de noiva e bouquet de noiva desta semana tem por base umas bonitas sandálias em tons coral (ou tangerina).
Estes tons cítricos suaves dão sempre um kick de cor ao cenário e têm um potencial enorme – tanto na selecção floral como nas coisas de comer – para tornar vibrante a vossa festa.
Encontrei estas belas sandálias de tacão e camurça na Mango, e têm tudo o que me parece ser uma boa ideia para sapatos de noiva: salto médio e largo, para dar um bom suporte, material macio (a camurça é sempre suave) e uma cor exótica e pouco habitual: papaia, tangerina, salmão, toranja, coral. Qualquer um destes adjectivos é aplicável a esta cor bonita e até funciona como um belo ponto de partida para ideias de decoração e o conceito da festa.
Em busca do bolo dos noivos, encontrei, em alternativa, estes cupcakes cremosos de baunilha e chai, aromáticos, cheios de especiarias exóticas e decorados com folha de ouro comestível… Que luxo, não?
Fechamos com um bouquet esplendoroso, cheio de dálias enormes e rosas no mesmo tom, a suavizar toda a convinação cítrica e vitaminada. Não vos parece um trio delicioso e inspirado?
Eu gosto destas paletas de cores inesperadas, porque é uma forma inspirada de trazer frescura para o dia do casamento, seja nos pequenos detalhes, como os sapatos de noiva, o bouquet de noiva e o bolo dos noivos, seja no cenário total, com os centros de mesa e a decoração em geral. Tangerina ou papaia?
De cima para baixo, cupcakes de especiarias com cobertura de baunilha e chai, via El Ciervo; sandálias de noiva com tacão largo e altura média, em camurça cor de tangerina, da Mango, por 49,99 euros; bouquet de noiva orgânico com dálias e rosas em tons coral, de Blush, via Magnolia Rouge.
Para acompanhar estes nossos trios perfeitos que publicamos todos os domingos, basta que sigam as nossas etiquetas (a partir da homepage) ou aqui no topo do artigo: sapatos e sunday shoes; cake! e bolo; bouquet e um belo bouquet.
Bom domingo!
Sapatos de noiva nude: uma bela selecção
Sapatos de noiva nude são sempre um item muito especial. Para quem não gosta de cores vistosas, este tom neutro e cremoso é a melhor das opções para uns sapatos que querem muitas vidas e ocasião de serem calçados, e é muito mais versátil do que um bonito par de sapatos brancos.
Entrei em modo window shopping e seleccionei quinze pares (pois claro!), de todos os formatos e feitios, que encontrei nas lojas do costume, em território nacional, a preços muito simpáticos (entre 19,95 euros e 79,95 euros). O tom nude varia entre rosa muito clarinho e o beige areia, e os materiais e acabamentos, entre sintético, verniz, camurça e pele polida.
Há de salto baixo e de salto vertiginoso, kitten heel, stiletto e tacão. Felizmente, nude parece ser uma das cores tendência da estação, e as opções são, literalmente para todos os gostos e todos os bolsos. Em comum, o facto de serem todos giros!
Vamos às compras? Venham comigo!
De cima para baixo, abertos no calcanhar e fechados à frente, 1. mules em pele, Zara, por 39,95 euros; 2. mules de salto alto com elástico, Zara, por 25,95 euros; 3. mules rasos, Zara, por 19,95 euros; 4. sapatos rasos abertos atrás, Mango, por 19,99 euros; 5. sapatos com tacão de metacrilato, Bershka, 25,99 euros.
De cima para baixo, pumps clássicos, 6. sapatos clássicos em pele, H&M, por 49,99 euros; 7. sapatos de salto alto em pele polida, Massimo Dutti, por 79,95 euros; 8. sapatos de salto alto com acabamento envernizado, Bershka, por 19,99 euros; 9. sapatos de salto alto em pele, Zara, por 39,95 euros.
De cima para baixo, sapatos com fivela no tornozelo, 10. sandália de salto em pele, Zara, por 39,95 euros; 11. sapato de salto com acabamento envernizado, Bershka, por 29,99 euros; 12. sandália de cetim com tacão de fantasia em metalacrilato, por 39,95 euros; 13. sandália de salto em metalacrilato, Mango, por 39,99 euros; 14. sandália de salto com presilha no tornozelo, Mango, por 29,99 euros e 15. sapato de salto alto em pele com presilha no tornozelo, Massimo Dutti, por 49,95 euros.
Que vos parecem estas opções? Sapatos de noiva nude são mesmo uma excelente opção, até porque combinam com todos os estilhos e looks, do mais clássico ao mais minimal e moderno, incluíndo tudo o que está pelo meio. Rendas, mikados, musselinas, tules, todos são bons parceiros desta cor. Só falta escolher o modelo mais apropriado e ao gosto de cada menina.
Boas compras!
À conversa com: Pixel, filmes de casamentos
Hoje sentamo-nos a conversar com os Pixel, que fazem filmes para casamento.
Lembro-me perfeitamente da primeira vez que vi um trabalho deles, num formato que por si só, já era diferenciador à época: 11 minutos de duração.
Rita + Roberto, absolutos desconhecidos e uma festa onde eu queria muito estar. Foi esta narrativa pulsante e irresistível que me cativou no trabalho dos Pixel, e que me fez segui-los, conversar com eles e insistir que esta era a casa perfeita para o seu trabalho ser visto. Tê-los na nossa lista seleccionada é um privilégio e um prazer. O trabalho que fazem reúne tudo aquilo em que acreditamos: um ponto de vista singular e uma qualidade impecável.
Fiquem com as palavras dos Pixel e conheçam com mais detalhe o que os move e de que se alimentam para fazer um trabalho tão especial.
Contem-nos um pouco da vossa viagem profissional até aqui, ao video de casamento.
A nossa viagem até aos vídeos de casamento começou, curiosamente, numa viagem. Há uns anos, andámos a viajar pelo Sudoeste Asiático e na altura fizemos um vídeo com as imagens que fomos captando. Estávamos longe (muito longe) de imaginar que esse vídeo mudaria para sempre as nossas vidas. Na altura, um fotógrafo (hoje amigo do coração) viu esse filme por intermédio de uns amigos que tínhamos em comum e convidou-nos a fazer um vídeo de casamento à experiência e… cá estamos!
Há quanto tempo filmam? E porquê casamentos?
O primeiro ano foi 2012, mas nesse ano ainda todos tínhamos os nossos respectivos empregos. A partir de 2013 é que nos dedicámos em exclusivo à Pixel. Não existe um porquê em relação aos casamentos… simplesmente aconteceu e adorámos a experiência! Ainda assim temos que confessar que cada mais temos trabalhos fora da área dos casamentos.
O vosso trabalho junta os pontos de vista de cada um de vocês. Como convergem?
Ah, é difícil, muito difícil falar de nós próprios e do nosso trabalho. Ainda assim temos a certeza que o nosso trabalho é definido por tudo aquilo que somos, é muito mais uma forma de expressão do que propriamente um produto pensado ou criado a partir de uma estratégia bem definida.
Num casamento, para onde olham, o que vos prende a atenção? O que procuram?
Antes de mais, o que mais procuramos são casais que confiem e se entreguem ao nosso processo de criação… a partir daí tudo se resume a “feeling” e acreditar que não temos que nos render a fórmulas standard! Existem tantas formas de contar, de criar, de emocionar e de chegar àquele cantinho no coração que nos faz estremecer, e é aí que queremos estar!
Como construíram a vossa assinatura? Como é que a definem?
Não construímos, nem tão pouco a conseguimos definir… Como já referimos, nada na Pixel foi ou é exaustivamente pensado, não temos estratégia para o próximo vídeo. Ainda assim, estamos convictos de que as formas de expressão não se criam nem tão pouco se definem… Tudo se resume à nossa forma de ver o mundo ou de recriar um novo mundo através daquilo que escolhemos registar.
Nestes tempos globais, em que as imagens circulam a uma velocidade vertiginosa e todos temos acesso a tudo, a qualquer hora, onde vão buscar inspiração?
Inspiração no sentido literal vem sobretudo do cinema, filmes indie e música.
Somos consumidores ávidos do Vimeo (aliás, um de nós consegue passar todo o dia no Vimeo!).
Outro factor que se mistura umbilicalmente com inspiração, são as nossa vivências enquanto pessoas. No limite, o que criamos é um reflexo daquilo que somos!
Quando precisam de fazer reset, para onde olham, o que fazem?
Este é um foco de divergência entre nós. Enquanto uns precisam nitidamente de “desligar a ficha” e ir para a praia, outros acabam por não sentir essa necessidade. Mas no fundo, achamos que quem vive nesta área de corpo e alma não se consegue desligar completamente. Em boa verdade, as nossas vidas pessoal e profissional unem-se de uma forma tão harmoniosa que já nem pensamos no que é trabalho ou no que pessoal… é apenas um “lifestyle”. Ainda assim, trabalhamos muito, trabalhamos imenso, não pensem que dormimos toda a manhã e vamos para a praia de tarde, não, de todo, não!
De Portugal para o mundo, ou o mundo em Portugal: filmar fora do país é diferente de filmar cá dentro?
De Portugal para o mundo claramente. O casamento em si pode até nem ser tão diferente do que por cá se faz, mas o simples facto de viajar (e nós adoramos viajar), altera completamente os nossos sentidos, aguça-os, sobredimensiona-os e tendencialmente estamos muito mais “ligados” do que quando estamos na nossa zona de conforto a 5, 50 ou 500km de casa. Este é, na nossa opinião, o grande factor diferenciador. Ainda assim, pela experiência que temos dentro e fora do País, achamos que em Portugal os casamentos duram demasiado tempo, só porque sim…
Qual é o vosso processo de trabalho, como acontece a ligação ao cliente?
Ao receber um contacto, verificamos sempre primeiro a disponibilidade, pedindo a data e local. Depois gostamos de reunir para falamos sobre nós, sobre a forma de trabalhar e sobre o dia em si, ficando a aguardar o feedback do casal.
Casamentos grandes ou pequeninos, nacionais ou estrangeiros, cerimónias emotivas, festas de arromba – qual é o tipo de festa que mais gostam de registar?
Todas, desde que sejam festas de pessoas simples, simpáticas e despreconceituosas, estamos de coração quente e com sorriso nos lábios. Depois, cada “tipo” de casamento tem o seu mood especial e nós sentimo-nos confortáveis para criar com qualquer tipo de mood, desde o underground, electro, love, até um casamento em qualquer castelo ou palácio.
Qual é a melhor parte de ser videógrafo de casamentos? E o mais desafiante e difícil?
Ser videógrafo (não só de casamentos) permite-nos ter uma qualidade de vida que não imaginávamos há 6 anos atrás… Estamos rodeados de pessoas felizes, fazemos o nosso próprio horário em termos de pós-produção, fazemos o que gostamos.
Não temos um trabalho, temos uma vida!
Cremos que a gestão de expectativas é – secretamente – o que mais nos apoquenta. O resultado final do nosso trabalho não depende unicamente de nós, longe disso. Tentamos sempre explicar aos noivos que o resultado final depende de imensas variáveis, desde o local, a luz, o tempo que temos disponível nas várias fases do dia, etc., e ainda existe o factor subjectivo de o dia ser retratado sempre através dos nossos olhos.
Escolham um filme favorito do vosso portfolio e contem-nos porquê:
Este é um pedido bastante difícil. Cada filme é criado do zero e fazêmo-lo com o mood que consideramos adaptar-se àquele casal e festa específicos. Neste sentido, queremos pensar que todos os vídeos são especiais, e quando os terminamos, achamo-los perfeitos, cada um à sua maneira. Ainda assim, todos os trabalhos que já estão feitos, estão no passado, e não queremos estar “reféns” de nenhum registo ou estilo, pelo que o trabalho anterior não deve ser um prenúncio do próximo.
Mas respondendo mais objectivamente, o filme que melhor nos espelha neste momento é o “NEON BALLROOM”, apenas porque é o mood e o registo visual em que nos revemos nesta fase.
Os contactos detalhados da Pixel, estão na sua ficha de fornecedor. Espreitem a galeria, cheia de videos incríveis e contactem a Luísa Coelho directamente através do formulário: é só preencher com os vossos dados e mensagem, e na volta do correio, terão uma resposta simpática.
Acompanhem estas nossas conversas longas com fornecedores seleccionados Simplesmente Branco, sempre à quarta-feira!


































































